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O que faz um item superar a taxa de inflação em quase 600%? Um modelo de bolsa da grife Chanel, vendida por US$1650,00 em 2008, custa hoje US$10.200,00.Esses valores, frequentemente associados à qualidade do produto, representam na realidade, investimentos robustos em marketing. A associação à riqueza e exclusividade, faz com que a logo estampada na etiqueta valha mais que todo o esforço aplicado no processo de produção deste.

No ano de 2023, de acordo com a Bain & Company, o mercado mundial de luxo alcançou o patamar de 1.5 trilhão de euros. Esse número representa um crescimento de 8% a 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor tem crescido cada vez mais e alguns fatores podem explicar o fenômeno.

Em 2020, o mercado sofreu sua primeira retração desde 2009. Durante a pandemia, o segmento não foi capaz de se adaptar rapidamente às novas necessidades criadas. Todavia, em 2021, cerca de 95% das empresas do ramo terminaram o ano em alta e desde 2020 o mercado obteve um crescimento próximo de 30%. Além do aumento da concentração de milionários durante a pandemia do coronavírus, aquele “dinheirinho guardado”, que seria usado para o turismo, acabou sendo investido no mercado de luxo. Assim, esses consumidores, parte da classe média, chamados de aspiracionais, foram consideravelmente responsabilizados por resultados tão positivos.

É interessante entender o que motiva o consumidor do luxo. Os itens que compõem o segmento representam exclusividade e glamour, sendo a funcionalidade aspecto secundário. Apesar de normalmente tais produtos ou serviços apresentarem alta qualidade, não é esse o fator determinante para o posicionamento de preço. Esses itens esbanjam alto poder aquisitivo e exclusividade. O “Quiet Luxury” é o exemplo mais atual, um grupo seleto de pessoas de alto nível social, que se vestem com peças de grife sem estampa, reconhecidas somente por aqueles de nível socioeconômico semelhante.

Entretanto, devido a certos aspectos macroeconômicos, os consumidores aspiracionais acabaram diminuindo seus padrões de consumo. Apesar disso, ao contrário do que muitos pensam, o mercado de luxo não tem uma demanda flexível. Uma elevada taxa de inflação ou recessão econômica normalmente não impactam o mercado, uma vez que essa recessão não afeta o principal público do mercado de luxo.

Por fim, o desenvolvimento das formas de distribuição na pandemia, aliado à influência das redes sociais têm abordado um público mais diverso nos últimos anos. Peças de segunda mão ou liquidações têm trazido um segmento intermediário ao mercado. O desejo apresentado por influenciadores digitais aos seus seguidores cria no seu público uma necessidade de pertencimento que parece nunca ser preenchida.